Poeira dos Sonhos
Dra. Edilza Ribas
Venho de longe e vou pra longe…
Vim do pó e do pó retornarei
Fui semente lançada ao vento por mãos invisíveis do tempo,
Me espalhei na vastidão da eternidade, vivi a queda e a ascensão.
Sou grão na imensidão do tempo, quis trazer um laço de fita
Pra dançar no sopro da vida, um instante, um ensaio, sem lei e sem promessas.
Entre o sol ardente e a chuva fria, lancei raízes, em cada lugar deixei um pouco
de mim que nasceu, cresceu e voltou ao fim.
Por entre os ténues fios do vento que acaricia cada linha do meu cabelo,
de mim voa para ti, um livre pensamento
sou menina de laço de fita, sou poeta, sou sonhador.
Na poeira de estrelas, procurei o céu,
caiu a flor sem cor e sem perfume,
Que no vento ficou a regozijar, que ao pó do universo um dia voltarei.
Sou nuvem inquieta, nada sei, não sou profeta, sou água que serpenteia
Sobre as pedras, seguindo o percurso da fé de encontrar amores, florês e perfumes, e no curso das minhas águas meu perfume deixar.
Aos que me conhecem sabe que sou mais o inverno que o calor do verão,
mas que vivo de primavera com meu laço de fita a bailar em voltas e idas,
sem nunca parar entre nuvens e sonhos no sopro da vida, fui alma vestida.
O que sou, não invento, o oleiro me moldou em silêncio, nas mãos do luar,
sou pó habitante, deixo rastros no chão, pagadas em vão, meus versos voam,
que tocam, que vão, na dança dos dias, no vento incessante.
Enquanto sou pó habitante, encurto-me no tempo perante o vento,
Mas não lhe entrego as curvas do meu destino, posso ansiar por teu abraço ou por descansar em teu peito, posso até propeçar nos meus sonhos e desfolhar a minha alma, mas sou a dona do meu destino.
Sou caipira, sou cowboy, sei lidar com o laço e domar a rédea, e a poeira deixar pra trás ao trotar no meu alazão.
Nesse breve existir sou brisa passageira, de pó em pó, sou magia, laço de fita a bailar no suspiro da vida que a terra bendiz.
Abri a minha gaveta, espalhei minhas convicções e de malas vazias, chamei de desejo o sonho de ser, o grão de beleza que designei,
que me trouxe e me levou sem avisar.
